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Censura de informação X Seleção de Informação

02 mar

Censorship Semana passada discutimos em sala de aula, na disciplina de Gestão de Estoques Informacionais, um assunto um tanto quanto polêmico, eu diria: censura da informação e a seleção de informação.

Quando saber se estamos selecionando corretamente as informações para nossos usuários e não os privando de informações, talvez, pertinentes? Qual o ponto onde termina um e começa o outro? Afinal, quando você seleciona informações para o seu usuário, ao descartar algumas julgando não relevante/pertinente não estaremos omitindo uma outra face da informação?

Foram levantados alguns pontos importante na hora de realizar a selação de informações/materiais como: imparcialidade, convicções e tabus sociais. Porém eu me pergunto, por mais que as pessoas queiram ser imparciais nesse momento, como não impor suas preferências e convicções num momento como esse?

Pensemos: a pessoa responsável pelas compras de determinada empresa vai realizar a compra de livros solicitados pelos demais colaboradores. Ele possui uma  verba X para essa compra. Após “pegar” todas as obras que lhe foram solicitadas com urgência ainda sobrou um dinheiro. Ele pode optar por aquele livro que ele tanto queria e um que foi solicitado por outro colaborador, ambos na lista de espera. Provavelmente qual será o comprado? Imparcialidade

Outro caso: um aluno de ensino fundamental precisa fazer uma pesquisa sobre religião. Como é a primeira vez que ele vai a uma biblioteca pede ajuda a bibliotecária que vê. O que ela provavelmete entregará ao menino? Convicções

Último ponto: porquê não existe (se existe nunca ouvi falar) em nossos livros didáticos assuntos como: homossexualismo, preconceitos racial, econômico e social e violência doméstica? Tabus

Se você estivesse em algum desse casos o que você faria? Compraria o livro que tanto quer? Daria ao aluno livros somente sobre o catolicismo? Publicaria um livro didático de educação sexual abordando o homossexualismo?

Selecionaria livros / informações para seus usuários sendo imparcial, ignorando suas convicções e “não lingado” para os tabus? Nos dois últimos casos, você não se importaria se seu filho(a) chegasse em casa com algum livro contra suas convicções e “assuntos desagradáveis”?

Nossa, mas quanta pergunta! Pois é, foi mais ou menos assim que eu saí da sala de aula. Tentando imaginar o que eu faria em algum desse casos!

Mas esse assunto não fica por aqui! Ainda falarei um pouco mais sobre censura de informação e a tal Lei de Informação que o governo está criando e querendo aprovar.

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6 Comentários

Publicado por em 03/02/2009 em Biblioteconomia

 

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6 Respostas para “Censura de informação X Seleção de Informação

  1. Cinara

    03/03/2009 at 16:50

    Minha amiga, demorei, mas finalmente vou deixar aqui o meu comentário.

    Quero começar dizendo que adorei este seu post, pois todos os questionamentos que você levantou são relamente intrigantes e pertinentes para um bibliotecário e por isso vou falar sobre a minha forma de pensar sobre o assunto.

    Em relação a impacialidade, acredito que, precisamos (primeiro) pensar que cada pessoa tem a sua própria bagagem informacional e que isso acaba sempre influenciando, mesmo que inconscientemente. Mas quanto ao primeiro caso, o bibliotecário deve avaliar alguns itens: 1º quais são os critérios utilizados para avaliar as prioridades? 2º qual dos livros é mais relevante para a organização e mais utilizado pelos usuários? (já que no caso é uma empresa) e só então decidir qual vai ser comprado.

    Segundo caso, seguindo a mesma linha de raciocínio, vamos exercitar o serviço de referência e investigar o que exatamente este “aluno” esta procurando em religião, para só então entregar-lhe algum material.

    E finalmente o ultimo caso, se o livro didático é sobre sexualismo, não tem porque não abordar também o homossexualismo. Agora, se esse livro vai ser utilizado e de que forma este tema vai ser abordado é que conta.

    P.S: Sei que o meu comentário ficou um tanto quanto extenso, mas a causa é nobre e o assunto realmente requer muiiiito debate e é claro que eu ainda não esgotei tudo que penso sobre isso, mas fica para um próximo comentário. hehehehehhe.

    Bjuuussss, minha miga lindaaa.

     
    • Maria Carolina

      03/11/2009 at 21:09

      Oi minha amiga!
      Até que enfim você escreveu, heim?! Sei que você sempre lê, mas é bom saber sua opinião também!
      Eu concordo com tudo que você disse, principalmente no caso dos serviços de referência, onde temos que entrevistar bem o usuário e selecionar os melhores materiais sobre o assunto, e não censurar.

      ;**
      E apareça mais vezes viu!

       
  2. Giancarlo Proença

    03/06/2009 at 08:23

    Queria ser uma mosquinha para participar desse debate na tua aula, Carol. Na minha área de formação – não tão distante da tua, já que ambas trabalham com informação – também debatemos muito sobre a seleção de informação. Quando um repórter vai a campo, ouve os entrevistados e coleta documentos para produzir uma matéria, está também selecionando informação. Só o que ele considerar relevante será publicado. No caso do jornalismo, confia-se – muito, na minha opinião – no feeling, na experiência, e em uma ou outra técnica de entrevista e redação. Pelo menos nas ciências da informação (e jornalismo não é e nunca será ciência) há alguns parâmetros mais claros de seleção. Na nossa metodologia de IC da Knowtec, por exemplo, podemos sempre correr para a árvore: se há um KIT ou KIQ a respeito, a informação é concernente para o público-alvo. Agora, se não estiver, a porca torce o rabo: a informação até pode ser relevante, pode ser um sinal fraco que aponta uma tendência. Aí, identificar isso, é tarefa bem mais difícil.
    Espero ter contribuído no debate, embora tenha viajado por outro lado.
    Beijo.

     
    • Maria Carolina

      03/11/2009 at 21:15

      Oi Gian,
      Claro que contribuiu! É muito bom ver a opinião de quem está em outro ponto de vista. Trazer para nosso contidiano é mais válido ainda.
      Pensando em nossas pesquisa, por exemplo, temos que tomar muito cuidado para não censuramos notícias ou até mesmo imagens, por não acharmos relevantes ou interessantes.
      Até mesmo ao analista não cabe esse tipo de atitude, pois só quem põe em prática as informações e estratégias é que sabe o que é relevante para a organização.

      Obrigada mais uma vez!
      ;**

       
  3. Karol

    03/06/2009 at 11:32

    Olha Kérol, imparcialidade é uma coisa impossível, pois cada pessoa tem o pensamento moldado pelas experiências de vida, e como somos humanos e não máquinas essas experiências vão influenciar as tomadas de decisões que devemos tomar. Para amenizar esse conflito entre imparcialidade, convicções e tabus é imprescindível o bom senso aliado a uma boa política de gestão de estoques. Essa Política sim vai ser permeada por critérios técnicos não subjetivos capazes de servir como subsídio à comissão ou equipe de seleção do acervo.

    Em relação ao 1º caso, penso q a resposta seria deixar a Política decidir, com base no que realmente é relevante para a U.I. No 2º caso a bibliotecária teria que perguntar para o aluno qual o tipo de religião, se é cristã, pagã entre outros. Caso ele não saiba dizer (o que é mais provável), então deve-se apresentar material mais básico sobre todas as vertentes. Não é tanto uma questão de convicções, e sim de ética profissional mesmo, sobre não ‘esconder’ informação. Sobre o último ponto, mais polêmico, eu penso que é hipocrisia da sociedade (by Vani, de os Normais), essa coisa de ficar ignorando a realidade. Quanto mais a gente abafa e esconde a realidade, mais forte é o choque e a queda depois. A gente educa os filhos de acordo com o que a gente sabe sobre o mundo, mas devemos ser sinceras e dizer que sabemos muito pouco e que a verdade está lá fora (by X-Files) e cabe a ele questionar e tomar uma posição ou aceitar todas elas.

    Já suuper me estendi neste post hehe. Voltarei em outro rs.
    Bjoo =)

     
    • Maria Carolina

      03/07/2009 at 10:32

      Karol,
      Não se preocupe com o tamanho do comentário, é difícil falar pouco sobre esse assunto. O Gian e a Cinara escreveram bastante também!
      Eu concordo com você em todos os 3 casos. Não só os bibliotecários, como os demais profissionais da informação, devem ter bom senso para selecionar bem a informação, sem sensurar, e capacidade de aceitar que ninguém pensa igual a ele.
      Esse assunto dá o que falar, não por ser polêmico, mas sim por mexer com as crenças e convicções das pessoas, onde elas normalmente não conseguem ser imparciais.
      Obrigada por passar por aqui mais uma vez.
      ;**

       

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