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"A internet transforma o seu cérebro"

Lia Luz – Revista Veja – Edição 2125

O neurocientista Gary Small afirma que o uso de ferramentas digitais altera o funcionamento do cérebro. Agora, além da diferença de valores e preferências culturais, surge um novo fosso entre as gerações: o neurológico. Mas é possível superá-lo

cerebro

A imagem à direita mostra, em verde, as áreas do cérebro ativadas durante a leitura de um livro. A imagem à direita registra a atividade cerebral durante a navegação na internet. As áreas do cérebro envolvidas são semelhantes às da leitura, com um acréscimo importante – destacado em vermelho. Trata-se do córtex pré-frontal, que permite às pessoas tomar decisões rapidamente enquanto avaliam informações complexas

A internet não mudou somente a forma como as pessoas produzem, criam, se comunicam e se divertem. Ela altera o funcionamento do cérebro. Essa é a conclusão de um estudo conduzido pelo neurocientista americano Gary Small, diretor do Centro de Pesquisa em Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia (Ucla). A pesquisa foi feita com voluntários com idade entre 55 e 76 anos. Eles foram submetidos a testes com ressonância magnética funcional enquanto pesquisavam na web. “Percebemos que a exposição à rede fortalece alguns circuitos neuronais. Com isso, fazemos mais com o cérebro, gastando menos energia. É como se tivéssemos a orientação de um personal trainer numa academia. Aprendemos a levantar mais peso realizando um esforço menor”, diz Small. A internet, observa o pesquisador, pode ser ainda uma fonte de exercícios para a mente, atenuando a degradação provocada pela idade. Mas tudo isso só ocorre com o uso moderado. A superexposição tem efeitos nocivos.

O senhor afirma que, desde que o homem primitivo descobriu como utilizar uma ferramenta, o cérebro humano nunca foi afetado tão rápida e dramaticamente como agora. Por quê?
Essa é uma consequência do uso dos computadores e, mais especificamente, da internet. Nossos circuitos cerebrais são formados por conexões entre os neurônios, chamadas de sinapses. A todo momento, esses circuitos respondem às variações do ambiente. Ao passarem horas em frente ao computador, seja para pesquisar, mandar e-mails ou fazer compras, as pessoas estão expondo o cérebro a uma enxurrada de estímulos. É por isso que o uso da tecnologia digital altera nossos circuitos cerebrais.

Quais as consequências da exposição aos estímulos digitais?
O uso da internet tem resultados positivos para o funcionamento do cérebro. Foi isso que constatamos no estudo com um grupo de voluntários com idade acima de 55 anos. Mas o problema vem com o exagero. Passar dez horas por dia na frente do computador pode reduzir nossa aptidão para o contato pessoal, como manter uma conversa face a face.

Como isso acontece?
Tecnicamente, a superexposição a estímulos constantes na internet afeta a maioria dos circuitos corticais e a camada externa da área cinzenta do cérebro, o que inclui os lobos frontal, parietal e temporal. O resultado disso é que ocorre um reforço nos circuitos cerebrais que controlam as habilidades tecnológicas. Mas os circuitos relacionados a habilidades sociais são negligenciados.

Que tipo de habilidade social perdemos?
A alta exposição à tecnologia parece diminuir a nossa capacidade de captar certos detalhes durante uma conversa. Deixamos de “ler” as informações não verbais existentes em um bate-papo, como a postura corporal, os gestos e eventuais nuances no olhar. Isso também foi constatado num estudo recente, realizado com 200 pessoas com idade entre 17 e 23 anos. O trabalho concluiu que, quando esses jovens estavam num game violento, havia redução na habilidade de reconhecer o contexto emocional de algumas situações. Enquanto jogavam, eles viam fotos de pessoas e não identificavam rapidamente se elas estavam prestes a chorar ou se franziam as sobrancelhas, numa expressão carrancuda.

Os jovens são os mais afetados por essa exposição excessiva à informação digital?
Sim. Muitas vezes, eles passam mais tempo na internet do que cultivando contatos sociais diretos. E o jovem, em pleno desenvolvimento, é mais vulnerável. Seu cérebro não desenvolveu completamente o lobo frontal, a seção que nos diferencia dos animais e controla pensamentos mais complexos e a nossa capacidade de planejamento.

Isso acentua as diferenças entre jovens e adultos?
Sim. Além da tradicional lacuna entre gerações, marcada pelas diferenças de valores, atitudes e preferências culturais, estamos testemunhando o aparecimento de uma lacuna cerebral dividindo jovens e adultos. De um lado, estão os nativos da era digital. Eles nasceram depois dos anos 80 no mundo dos computadores e nele mergulham 24 horas por dia, sete dias por semana. No outro segmento, estão os imigrantes digitais – aqueles que conheceram os computadores e outras tecnologias da era digital quando já eram adultos.

Quais as diferenças entre os dois grupos?
Os típicos imigrantes digitais, pessoas com mais de 30 anos, foram treinados de maneira muito diferente no que se refere à socialização e à aprendizagem. Fazem as tarefas passo a passo – e sempre uma por vez. Eles aprendem metodicamente e executam os trabalhos de forma mais precisa. Com habilidades mais acuradas para o contato social, são mais vagarosos na adaptação e no uso das novas tecnologias. Os nativos digitais são melhores ao tomar decisões rápidas e ao agrupar o grande volume de estímulos sensoriais do ambiente.

Num clique, conseguimos as informações que queremos. Isso nos faz refletir menos, nos torna mais impacientes?
Creio que sacrificamos a profundidade pela amplitude. Como tendemos a procurar constantemente informações na internet, nossa mente pula de um site para outro. A tecnologia nos incita a seguir sempre adiante, em vez de nos fazer parar para refletir. Desenvolvemos uma espécie de staccato na forma de pensar e resolver problemas. Fazemos tudo numa tacada breve e seca. É possível que essa característica dos meios tecnológicos, quando combinada à exposição excessiva, nos leve a um aumento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. Também pode nos conduzir ao vício tecnológico.

O senhor diz que o excesso de tecnologia provoca stress e danifica circuitos cerebrais. Por quê?
Sob certo aspecto, essa revolução digital nos mergulhou em um estado de contínua atenção parcial. Estamos permanentemente ocupados, acompanhando tudo. Não nos focamos em nada. A atenção parcial contínua é diferente da multitarefa, na qual temos um propósito para cada uma das ações paralelas e tentamos melhorar nossa eficiência e produtividade. Quando prestamos atenção parcial continuamente, colocamos nosso cérebro num estágio mais elevado de stress. Ficamos sem tempo para refletir, contemplar ou tomar decisões ponderadas. As pessoas passam a existir num ritmo de crise constante, em alerta permanente, sedentas de um novo contato ou um novo bit de informação.

Isso ocorre nos sites de relacionamentos?
Sim. Qualquer tecnologia em excesso, tanto o Twitter como somente os e-mails, pode causar esse tipo de estado de excitação. Quando nos acostumamos a isso, tendemos a procurar o sucesso na perpétua conectividade. E isso alimenta nosso ego e senso de valor próprio. É algo irresistível. Nesse aspecto, as redes sociais são particularmente sedutoras. Elas nos permitem constantemente satisfazer nosso desejo humano por companhia e interação social.

Esse vício também atinge as pessoas mais velhas, os imigrantes digitais?
Recentemente, muitos imigrantes digitais mergulharam de tal forma nas novas tecnologias que perderam parte das habilidades de contato social. Eles sofrem dos mesmos sintomas de um típico nativo acometido pelo excesso de tecnologia: sentem-se isolados quando não estão on-line, têm dores de cabeça, problemas de atenção, além de irritabilidade e fobia social. Embora os imigrantes digitais tenham treinado suas habilidades sociais e a comunicação direta, o excesso de exposição à tecnologia pode desencadear um desequilíbrio na vida profissional e nos relacionamentos pessoais. Para resolver esse tipo de problema, as soluções variam de acordo com cada indivíduo, mas todas apontam para a busca do equilíbrio entre adaptar-se às novas tecnologias e alimentar nossas habilidades e sensibilidades humanas.

Sua pesquisa indica aspectos positivos no uso da internet.
A tecnologia traz problemas quando usada em excesso. Moderadamente, é nossa grande aliada. Minha pesquisa, feita com pessoas entre 55 e 76 anos, mostra que o uso da internet resulta em aumento significativo da atividade cerebral. Ele ocorre em áreas envolvidas no controle de tomada de decisão e no raciocínio complexo – aquele que nos diferencia dos animais.

E o que isso significa?
Significa que o uso da web pode fortalecer circuitos neuronais. Isso nos permite fazer mais com o cérebro, gastando menos energia. Após cinco dias de treino, todos os voluntários (mesmo os que não tinham familiaridade com a rede) mostraram maior atividade mental.

O problema é só da tecnologia?
Não. Um dia desses me escutei gritando com o meu filho adolescente: “Para de jogar essa porcaria de videogame e vem ver TV comigo”. Fazia horas que ele estava na frente do computador. Nossas tecnologias digitais nos permitem fazer coisas extraordinárias. Comunicamo-nos por meio de elaboradas redes sociais on-line, conseguimos vasta quantidade de informação num instante, trabalhamos e brincamos de forma mais eficiente e interessante. O impacto negativo potencial da nova tecnologia no cérebro depende muito do conteúdo, da duração e do contexto dessa exposição. Até certo ponto, penso que as oportunidades para desenvolvermos as redes neurais que controlam as habilidades de contato cara a cara, o que muitos definem como nossa humanidade, também estão sendo perdidas (ou, ao menos, comprometidas) à medida que as famílias se tornam mais fragmentadas. Talvez a tecnologia só ajude a afastar as pessoas. Existe uma frase, citada pelos céticos: “Minha avó dizia que a TV iria apodrecer meu cérebro – o que de fato aconteceu”. A verdade é que não sabemos o que acontecerá, mas precisamos reconhecer que a revolução digital traz efeitos bons e ruins ao cérebro. O importante é que ainda temos controle sobre aquilo a que escolhemos expor nossa mente.

Como será o cérebro no futuro?
Num futuro não muito distante, teremos a capacidade de monitorar e estimular a atividade de células cerebrais individuais. Cientistas já contam com aparelhos que fazem isso, por meio de uma proteína fotossensível, controlada por laser. Os raios poderão estimular os neurônios, por exemplo, caso ocorra algum tipo de lapso, como é comum em pessoas idosas. Em breve, também vamos checar e corrigir nosso circuito neural por meio de controles remotos, semelhantes aos usados nas TVs. Teremos também mínimos implantes na cabeça. Eles permitirão que nossa mente se conecte aos computadores. Farão com que as máquinas entendam os comandos do cérebro. À medida que nossos computadores ficarem mais rápidos e mais eficientes, e esses implantes se tornarem a norma, em vez de discutirmos a lacuna cerebral entre gerações, vamos debater as lacunas entre o computador e o cérebro humano. Esse é um tema que dominou a ficção científica por anos. Como se vê, o futuro pode ser a ficção atual.

Publicidade online se torna mais pessoal

Hoje li mais uma matéria interessante sobre os “robôs” que nos rastreiam na internet.

Stephanie Clifford – O Estado de São Paulo 

Por causa da web, as empresas têm cada vez mais acesso a dados para montar o perfil dos consumidores

Apesar de toda preocupação e alvoroço sobre a privacidade online, vendedores de anúncios e empresas de dados sabem cada vez mais sobre a vida offline do consumidor, como a sua renda, situação de crédito, se é proprietário de imóvel, até a marca do carro que possui e se tem licença para caçar. Recentemente, algumas dessas empresas começaram a associar esse grande volume de informações aos dispositivos de navegação dos consumidores na internet.

Isso resultou numa enorme mudança na relação dos consumidores com a internet. Cada vez mais, não só as pessoas vão ver uma publicidade direcionada, mas também versões diferentes de websites e irão até receber ofertas de desconto quando fizerem suas compras – tudo isso baseado nas informações sobre seu histórico. Duas mulheres em escritórios vizinhos podem ir ao mesmo website de cosméticos, mas uma poderá ver um perfume Missoni de US$ 300, a outra apenas um batom de US$ 2.

A tecnologia que faz essa conexão não é nova – trata-se de um minúscula peça do código de programação do computador chamada cookie, instalada no disco rígido da máquina. Mas a informação que ela contém é coisa nova. E ela é obtida de maneira invisível.

Agora, você está navegando na internet com um ?cookie? que vai indicar que tipo de consumidor você é: seu grupo de idade, nível de renda, se é urbano ou rural, se tem crianças em casa, diz Trey Barrett, líder de produto na Acxiom, uma das empresas que estão oferecendo essa conexão para os vendedores.

Anunciantes e vendedores dizem que esse detalhe é muito útil, pois acaba com o trabalho de se ficar conjecturando sobre o perfil de um consumidor online, para mostrar os produtos aos consumidores que, com mais probabilidade, vão se interessar por eles. Empresas varejistas que vendem online, como Gap e Victoria?s Street, já estão usando essa tática.

Mas, para os órgãos de defesa do consumidor, esse rastreamento invisível é preocupante. Na velha internet, ninguém sabia se você era um cão, mas na internet direcionada, as pessoas sabem agora que tipo de cão você é, sua cor favorita de guia, a última vez que teve pulgas e a data em que foi castrado.

Com esse romance do setor com esses ?cookies?, é praticamente impossível para o usuário estar online sem ser rastreado e tendo seu perfil traçado, diz Marc Rotenberg, diretor executivo do Electronic Piracy Information Center.

Embora o Congresso americano tenha realizado algumas audiências para discutir a privacidade online, as audiências se concentraram no enfoque comportamental online. Segundo o setor, a intervenção do governo é desnecessária, argumento que a Comissão Federal de Comércio tem aceito até agora.

O consumidor pode evitar ser rastreado removendo os cookies dos seus computadores ou programando seus navegadores para não os aceitarem. Mas poucos fazem isso e, de acordo com os órgãos de defesa, é fácil para as empresas inserirem os cookies sem que os usuários percebam.

Há décadas, empresas de dados como Experian e Acxiom vêm compilando grandes quantidades de informações de cada americano; a Acxiom estima que possui 1,5 mil dados de cada americano, com base em informações de documentos de identidade, certidões de nascimento e casamento, assinaturas de revistas, e até o registro de cães no American Kennel Club.

Para os vendedores, todos esses dados são uma bênção. É um pequeno Big Brother, disse Betsy Coggswell, 49 anos, assistente social em Fullerton, Califórnia, que costuma comprar regularmente online. Mas ela não se diz chocada com o fato. Cada vez que você fornece informações pessoais suas, elas vão ser coletadas por alguém.

Mas, de acordo com Paul M. Schwartz, professor de Direito e especialista em questões de privacidade, a participação involuntária dos consumidores torna o marketing online diferente do offline. A mídia interativa na verdade entra no assustador mundo Orwelliano, em que se faz um registro do nosso pensamento para saber que decisão adotar.

Sete maneiras de criar uma boa rede de relacionamentos

Computerword-USA – CIO Updat

Autora de um livro sobre como os profissionais introvertidos podem progredir no ambiente profissional, Naomi Karten dá dicas de qual o caminho para construir o networking

Muita gente sente um certo nervosismo quando precisa abordar outra pessoa ou ser apresentado a alguém importante. Mas para quem é naturalmente tímido, introvertido, ou ambos, fazer o chamado networking (estabelecer uma rede de contatos) profissional pode ser tão difícil quanto completar uma maratona.

Segundo a autora do livro How to Survive, Excel and Advance as an Introvert (Como Sobreviver, Destacar-se e Progredir sendo um Introvertido), Naomi Karten, os introvertidos são menos propensos a iniciar uma conversa. Isso pode ser uma desvantagem significativa no mundo corporativo, em que o sucesso na carreira depende da construção de relacionamentos sólidos.

Mas é possível aprender a fazer networking? Sim, de acordo com Karten, que dá sete dicas de como criar uma rede de contatos.

1- Desenvolva a ideia certa
O gerente de operações espaciais da norte-americana United Space Alliance, que presta serviços para a Nasa (agência espacial dos Estados Unidos), Keith Chuvala, não gosta do termo networking. Para ele, a melhor definição é construir relacionamentos. Pensando dessa forma, ele torna a tarefa mais natural e humana.

2 – Defina objetivos
Os mentores de carreira costumam mencionar a rede de relacionamentos como um caminho-chave para conseguir um novo emprego. Mas essa rede é importante também dentro da companhia. Para levar seus projetos adiante ou avançar com idiias, o profissional pode precisar de aliados ou até mesmo de segundas opiniões para questões mais específicas. Para chegar a esse ponto, uma boa estratégia é criar uma lista do que se almeja alcançar. Isso não só dá as bases para a criação de bons relacionamentos, como também motiva o profissional.

3 – Tire proveito de sua zona de conforto
O chefe de tecnologia da empresa norte-americana de direito Fenwick & West LLP, Matthew Kessner, sente-se à vontade para falar com centenas de pessoas e com grupos pequenos. Mas, curiosamente, acha assustador o meio-termo, como coquetéis. Para melhorar sua rede de relacionamentos, ele aprendeu a tirar o melhor proveito das situações confortáveis.

Conversar com multidões não constrói relacionamentos pessoais, mas ele aproveita a ocasião para falar cara-a-cara depois das apresentações. O profissional deve observar seu próprio comportamento para entender o que funciona mais para ele.

4 – Saiba mapear as oportunidades de relacionamentoUm bom começo pode ser criar uma agenda de compromissos em associações de classe, nas quais o profissional pode apresentar-se e travar conversas. Mas é importante não ficar limitado a esses eventos. De acordo com um executivo da empresa de recrutamento The PacheraGroup, baseada na Califórnia, é importante sempre ir aos locais onde o profissional será visto e reconhecido.

5 – Maximize as ferramentas de sua rede social
É interessante maximizar conexões de suas redes, como Facebook, LinkedIn, Twitter, Plaxo e CW Connect. Em todos, há grupos que estão ligados aos seus interesses, pessoais e profissionais. Pode ser a porta de entrada para novas oportunidades..

6 – Ofereça algo quando travar contatos
Para o CEO da desenvolvedora de sistemas Precision Quality Software, Andre Gous, é importante acrescentar valor cada vez que estabelecer um novo contato. “Pense sempre: o que posso oferecer?”, afirma. “Nem sempre é confortável para o outro mostrar o que quer”, diz.

7 – Comprometa seu tempo
Profissionais introvertidos estão acostumados a deixarem oportunidades de relacionamento passarem. Uma maneira de evitar que isso aconteça é comprometer o tempo e marcar encontros durante cafés da manhã ou almoços. Essa prática, quando incluída na rotina diária de negócios do profissional, torna mais fácil a criação de uma rede de relacionamentos e o desempenho social.

Novos sistemas dissecam perfil dos usuários da web

Stephen Baker, BusinessWeek, de Nova York – Valor Econômico
(Tradução de Mário Zamarian) Copyright© 2009 The McGraw-Hill Companies Inc.

privacidadeOcasionalmente, os surfistas da internet se deparam com sugestões nas telas de seus computadores que os levam a se perguntar: como eles sabem isso a meu respeito? Esse momento pode ser mágico e um pouco assustador.

Veja só este exemplo. Uma usuária do site FigLeaves.com, de vendas a varejo, se depara com um delicado par de chinelos femininos. Em seguida, surge uma recomendação para um roupão de banho masculino. Isso poderia parecer terrivelmente errado – a menos, é claro, que fosse exatamente isso que a usuária estivesse procurando. Esse tipo de conexão surpreendente vai acontecer com maior frequência à medida que os comerciantes eletrônicos adotarem uma nova geração de tecnologia preditiva. Ela é alimentada por fluxos crescentes de dados comportamentais, de cliques de mouse e pesquisas de busca – tudo mastigado por computadores cada vez mais poderosos.

Por que o roupão de banho? A ATG, uma companhia de softwares de e-commerce de Cambridge (Massachusetts) que comprime dados para o FigLeaves, constatou que em certos momentos da semana, certos tipos de consumidoras costumam fazer compras para homens. Assim como todas as recomendações da internet, esta estará errada em boa parte das vezes. Mas à medida que os comerciantes investigam mais atentamente os consumidores, eles estão chegando mais perto de seu objetivo final: ensinar os computadores a misturarem dados com algo parecido com a astúcia de um vendedor de carne e osso. "Nos primeiros cinco minutos em uma loja, o vendedor observa a linguagem corporal do cliente e seu tom de voz", diz Mark A. Nagaitis, executivo-chefe da 7 Billion People, uma companhia iniciante de Austin, no Texas, que compete com a ATG. "Precisamos ensinar as máquinas a ter esse mesmo discernimento a partir dos movimentos on-line."

Essa dissecação das compras on-line acontece em meio a temores crescentes de invasão de privacidade on-line. Mas ao contrário das tecnologias de propaganda mais controvertidas, que monitoram as perambulações dos surfistas da internet de site em site, muitos desses métodos de "previsão de preferências" limitam suas investigações ao comportamento do consumidor na página de um grupo varejista na internet. Grande parte das análises olham simplesmente para os padrões de cliques, compras e outras variáveis, sem incluir informações pessoais sobre o comprador. Na maioria dos casos, os detalhes pessoais são incorporados apenas quando os clientes se registram em sites como o Amazon.com e o Wal-Mart.com, fornecendo essas informações.

Nos primeiros dias do comércio eletrônico, a maioria das análises se concentrava em padrões de compra simples entre os consumidores. A Amazon e outras introduziram a chamada filtragem colaborativa no fim da década de 90. Elas constataram, sem provocar surpresa em ninguém, que as pessoas que compravam um mesmo livro provavelmente compartilhavam os mesmos interesses por outros livros.

Agora, essa ciência está ficando bem mais sofisticada. Três anos atrás, a Netflix, a potência das locações de vídeos, ofereceu um prêmio de US$ 1 milhão para quem conseguisse recolher dados de milhões de usuários anônimos e melhorar em 10% as previsões da Netflix sobre quais filmes os clientes gostariam de ter à disposição. No mês passado, uma equipe internacional de cientistas da computação atingiu esse objetivo com a introdução de uma análise mais profunda. A equipe vencedora decompôs uma infinidade de detalhes em seu algoritmo. Ele tenta, por exemplo, compensar a mudança de sentimentos dos apreciadores de filmes ao longo do tempo. Se uma pessoa que faz resenhas critica uma série de filmes em sequência, será que eles são realmente horríveis? O algoritmo pode levar essas avaliações com um certo ceticismo matemático.

Introduzir esse nível de complexidade em um cálculo exige uma capacitação informática que até recentemente estava além do alcance da maior parte das companhias. "O que fazemos hoje seria impossível nas máquinas que tínhamos em 1999", afirma Bruce D’Ambrosio, vice-presidente e principal arquiteto da ATG. Ele diz que sua companhia está processando volumes cada vez maiores de dados enquanto tenta mapear os caminhos mais prováveis para cada comprador em um site.

A ATG quantifica a colcha de retalhos das relações entre todos os itens das lojas frequentadas por seus clientes, sejam elas uma Tommy Hilfiger ou uma Body Shop International. Ela analisa que tipo de cliente compra determinados produtos ou o que eles podem estar procurando. Isso se soma a centenas de bilhões de relacionamentos. Mas é por meio dessa análise que a ATG encontra conexões como a existente entre os chinelos femininos e os roupões de banho masculinos. A ATG também estuda as mudanças de comportamento dos usuários da internet ao longo do tempo. D’Ambrosio diz que os consumidores tendem a ter pressa quando estão saindo do trabalho e têm mais tempo de lazer nos fins de semana. Então, o site se ajusta aos ritmos desses consumidores, levando-os a um passeio tranquilo em uma tarde de sábado, empurrando-os para o "pagamento no caixa" na manhã de segunda-feira.

Os algoritmos usados pela 7 Billion People tentam copiar o laço humano de realimentação registrado em uma loja de tijolos e cimento. Enquanto um vendedor pode perceber que um comprador está com pressa, o site da internet precisa perceber isso por meio de outros sinais, como os cliques velozes no mouse. O truque, então, diz o executivo-chefe Nagaitis, é ajustar o site aos clientes. Aqueles que flertam com as resenhas e produtos relacionados, tendem a se ver transportados para páginas da internet com mais funções a serem exploradas. Os compradores com maior probabilidade de serem influenciados por demonstrações, por exemplo, podem achar vídeos demonstrativos.

Esses ajustes podem se mostrar bastante valiosos, segundo alguns clientes. Doug Scott, que comanda a estratégia de internet da ASAP Ventures, uma incubadora de e-commerce do Reino Unido, diz que costumava ajustar os sites que controlava aos seus gostos particulares, com muitos detalhes e opções de escolha. Mas depois de realizar testes com a 7 Billion People, Scott descobriu que apenas cerca de um terço de seus usuários compartilhava de seus gostos. Os outros queriam ler testemunhos ou simplesmente andar logo. "Poderíamos fazer um ajuste fino para aquele um terço, mas aí deixaríamos os outros dois terços irritados", diz ele. O ajuste aos diferentes tipos, com base no comportamento, aumentou a conversão dos visitantes do site a compradores em 30% a 50%.

Outra concorrente da ATG, a richrelevance de San Francisco, está "tirando o pó" de algoritmos teóricos de antes da era da informática para descobrir se eles podem ser usados para prever o comportamento dos clientes. "Se alguém está à procura de um computador da Dell no Wal-Mart", diz o executivo-chefe David Selinger, " é mais provável que ele esteja à procura de um PC mais caro, um mais barato, ou uma garantia?" Bem, a resposta depende do indivíduo, da hora do dia e algumas centenas de outras variáveis.

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